BINÁRIAS DE RAIOS X

PROCESSOS DE EMISSÃO, ACREÇÃO E EJEÇÃO

Fluxos astrofísicos de acreção são onipresentes em todo o Universo. Eles podem ser observados em objetos proto-estelares, binárias estelares de raios X, supernovas e buracos negros supermassivos localizados no centro de galáxias ativas. Os sistemas acretantes são compostos por três componentes: uma fonte central estelar compacta (anã branca, estrela de nêutrons ou buraco negro), um jato astrofísico colimado (ou não) que se origina da fonte central, e um disco de acreção magnetizado (ou não) ao redor da estrela compacta central. A complexa dinâmica de plasmas e a energética de tais estruturas são os focos dos estudos atuais neste campo. No caso particular das binárias, esta ainda é a área onde o maior progresso na compreensão da acreção foi feito. Existem duas razões principais pelas quais muitos sistemas binários transferem matéria em algum estágio de suas vidas evolucionárias: (i) no curso de sua evolução, uma das estrelas em um sistema binário pode aumentar em raio, ou a separação binária diminuir, até o ponto em que a atração gravitacional do companheiro pode remover as camadas externas de seu envelope (estouro do lóbulo de Roche); (ii) uma das estrelas pode, em alguma fase evolutiva, ejetar grande parte de sua massa na forma de um vento estelar; parte deste material será capturado gravitacionalmente pelo companheiro (acreção do vento estelar). Com o propósito de estudar o processo de acreção, as distinções entre essas alternativas não são importantes, embora sejam cruciais para o estudo da evolução binária.

Este projeto tem como objetivo estudar detalhadamente os precessos de acreção em diversos cenários astrofísicos. Em particular, queremos analisar como a existência de uma camada limite interna da fonte de acreção, no caso em que o disco se estenda até a superfície da estrela de nêutrons (ou horizonte de eventos no caso de um buraco negro), pode nos ajudar a entender o regime de transição de um disco kepleriano para uma estrela compacta rotativa, que provavelmente será responsável pela geração do espectro resultante.