MARTE E O VENTO SOLAR

VENTO SOLAR E ATMOSFERAS PLANETÁRIAS

O vento solar é plasma magnetizado que flui da superfície solar para o espaço interplanetário. No caminho, o vento solar encontra obstáculos, como as magnetosferas planetárias ou planetas sem um campo magnético intrínseco, mas com camadas ionizadas na atmosfera chamadas de ionosferas. Neste último caso, a interação do vento solar com o planeta produz as chamadas magnetosferas induzidas. Isso acontece, por exemplo, no caso de Vênus e Marte. Embora Vênus não possua nenhum campo magnético detectável, Marte possui alguns campos magnéticos remanescentes na sua crosta que não são nem muito fortes nem globais. As magnetosferas induzidas se formam porque o campo magnético interplanetário que é transportado pelo vento solar, (que pode variar no tempo, em direção ou em magnitude), induz correntes nas ionosferas planetárias, as quais são condutoras. No caso das ionosferas, o tamanho do obstáculo e a interação resultante dependem parcialmente da pressão dinâmica do vento solar. Quando o vento solar encontra tais obstáculos, não pode penetrá-los, mas deve desacelerar e fluir ao redor deles. Uma vez que o vento solar é super(magneto)sônico, formam-se choques planetários em frente a esses obstáculos. Nestes choques, que são por natureza não colisionais, o vento solar sofre desaceleração inicial, aquecimento e desvio. A falta de um campo magnético global expõe atmosferas planetárias a uma interação direta com o vento solar. A existência de estruturas, como regiões de interação de fluxos (SIR) e ejeções de massa coronal interplanetária (ICME) no vento solar, complica ainda mais sua influência sobre esses sistemas. Tais estruturas podem aumentar significativamente a pressão dinâmica do vento solar.

Este projeto visa estudar a resposta da ionosfera e a magnetofunda de Marte durante a fase de atividade solar muito baixa. Além disso, queremos analisar a influência de ICMEs e SIRs na atmosfera marciana e na ionosfera. O processo de evaporação atmosférica será revisitado. Os resultados desses estudos nos permitirão extrapolar análises que possam ser aplicadas no estudo de atmosferas exoplanetárias no futuro próximo.